As pessoas sempre me perguntam como foi que me tornei uma doll maker, como comecei a fazer bonecas e o motivo. E eu sempre conto a mesma história:

Em 2008 eu decidi que queria fazer coisas mais femininas. Eu sou mãe solo de três meninas e muitas vezes tive que ser pai e mãe e isso me endureceu, virei meio macho, afinal de contas a vida precisava que eu fosse mais dura em vários momentos. E com isso me afastei um pouco da delicadeza e feminilidade, só que com o tempo isso acabou fazendo falta.

Resolvi comprar uma máquina de costura e uma batedeira, nunca tinha usado nenhuma delas antes, mas eram símbolos de coisas femininas e eu estava decidia a dominar as duas.

Me agarrei com o computador e pesquisei muito. A batedeira foi o mais fácil, modéstia a parte eu sei me virar muito bem na cozinha, sou adepta do free style, não sigo receitas, invento pratos e 95% das vezes foco no saudável. Acho que se for montar um outro negócio será com comida.

Chegou a vez da máquina de costura. Levei um certo tempo para vencer o maior desafio para um iniciante: passar a linha na máquina! Só quem já passou por isso vai entender! A coisa era mais complexa  – confesso que tenho uma atração natural por tudo que é mais difícil, adoro desafios. Depois de ter uma idéia do que fazer com a máquina, eu precisa ter algum projeto, e então comecei a navegar por esse mar de informação que é a internet. Em 2008 não tinha tanto quanto hoje, mas já tinha bastante coisa craft e resolvi fazer monstrinhos, curti, fiz vários, não fotografei, dei todos de presente. Foi divertido.

Nas minhas pesquisas, um belo dia, encontrei uma boneca de pano deslumbrante, algo que eu nunca tinha visto antes do mesmo nível. Ela era o trabalho de uma doll maker alemã chamada Juliane Strittmater, que fazia bonecas com a marca Fröken Skicklig, hoje ela mudou seu nome comercial e site para Notes from Bjorkasa. Eu sou daquelas que se interessa mais pela pessoa do que pela obra. Obviamente a boneca maravilhosa me seduziu, mas o conteúdo, propósito e valor que a Juliane passava no seu trabalho foi extremamente mais inspirador pra mim e devorei tudo. Assim encontrei as primeiras menções as palavras: boneca waldorf, steiner, antroposofia. Pronto, um novo universo surgiu!

A questão é que não existia material em português sobre boneca waldorf, antroposofia era algo raríssimo de se encontrar em sites brasileiros, tudo era em alemão e inglês, e eu não sou fluente em nenhuma das duas línguas. Mas não me intimidei. Pesquisei e aprendi um monte sobre tudo relacionado. Entendi a importância do brinquedo, da boneca, as ligações infantis, aprendi muito sobre antroposofia e apliquei na minha vida e família. Foi um encontro sensacional.

Mas chegou um momento que eu queria muito fazer aquela boneca. Levei um ano procurando materiais similares, testando e criando coragem. Até que fiz a Matilda, sem moldes, fornecedores, instruções etc.

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A sensação que tive ao fazer sua cabeça foi maravilhosa, quando terminei senti minhas bochechas ficarem vermelha e um sorriso enorme brotar no rosto. Caramba, eu queria fazer aquilo todo dia!

Claro que a Matilda ficou desengonçada, torta, mas ela tá guardada até hoje pra me lembrar que somos feitos da nossa vontade e que ela deve ter sempre a maior força. Sem medo, sem preguiça, sem limite. Fazer bonecas é algo curativo emocionalmente, trabalha sua coragem, determinação, tomada de decisões, algumas pessoas não entendem e acham uma bobagem o fazer manual ser usado de forma terapêutica, mas ele tem um grande valor.

Aquela primeira boneca que vi me levou por um caminho muito bonito e sou grata por isso, hoje 8 anos depois de ter começado oficialmente a Fabiluli e com mais de 900 bonecos feitos à mão por mim posso falar que além de ter construído o meu próprio negócio, eu construí a mim. E isso me faz muito bem.

Espero que você encontre o seu caminho, siga firme e se sinta bem também, faz muita diferença.

Beijocas da Fabi

 

 

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Eu sou a Fabiluli ou Fabiana Pereira, tenho 42 anos, sou carioca, mãe de 3, artista, natureba, cheia de dúvidas e certezas. E em breve avó!

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