Algumas pessoas levam um vida dupla, preciso confessar que sou uma delas.

No mundo que todos conhecem, meu nome é Fabiana. Tenho 3 filhas e um monte de atividades para dar conta como qualquer outra mãe. Mas no mundo que poucos conhecem, meu nome é Fabiluli: esse é meu nome de fada. Preciso falar a verdade logo, sou uma fada que escolheu ser mãe.

Normalmente após essa confissão as pessoas me perguntam: como uma fada vira mãe? E eu então conto essa história…

Há muito tempo, eu era uma pequena e feliz fada. Vivia no mundo mágico que fica paralelo ao mundo real, como trilhos de trem que não se cruzam.

No mundo mágico todas as criaturas tem responsabilidades, algumas criaturas muito bondosas se oferecem para trabalhar também no mundo real e ajudar os humanos. Normalmente temos medos dos humanos pois eles são muito grandes, mas sabemos que seus corações precisam de cuidados.

Eu preferia trabalhar no mundo mágico, vivia numa plantação de tulipas, adoro tulipas, e minha casa era uma linda tulipa amarela.

Mantinha meu campo sempre florido, conversava com todas as flores, limpava as folhas caídas e às vezes, depois que terminava minhas atividades, encontrava com minhas amigas para brincar um pouco. Nossa brincadeira favorita era a corrida com moluscos, quando os humanos não estão por perto, moluscos podem ser muito ágeis.

Nossas noites no mundo mágico são marcadas por festas, nos reunimos sempre ao redor da grande árvore e cantamos, dançamos e tocamos os mais variados instrumentos. Meu instrumento preferido era a lira, adoro seu som.

Eu tinha uma vida feliz no mundo mágico.

Um dia, uma fada amiga que trabalhava no mundo real como encantadora de bebês ficou doente. Como ela gostava muito de bebês humanos, ficou preocupada pois seus bebês não seriam encantados naquela noite – dizem que quando uma fada não pode encantar seus bebês humanos, eles passam a noite chorando sem que os pais entendam o motivo. Fadas encantadoras de bebês são aquelas que fazem as crianças sorrirem quando estão sozinhas, também as fazem dormirem tranquilas e as amparam quando estão prestes a se machucar.

Me ofereci para ajudar minha amiga que, além de doente, estava muito aflita. Um dia só não me faria mal, pensei; no dia seguinte eu continuaria no meu mundo mágico na boa… na minha flor, tocando minha lira. Depois de algumas recomendações parti.

Um transporte muito bom do mundo mágico para o mundo real são as joaninhas, elas voam tão rápido que quando você percebe já chegou.

A primeira parada foi numa casa que tinha cheiro de bolo de canela, era um cheiro bom. Encontrei o primeiro bebê humano da noite e fiquei encantada por ele. Tão pequeno, tão frágil, ele logo que me viu fez algo que todos os bebês fazem, usou sua maior arma, abriu um enorme e lindo sorriso! Ai… que lindo! Brinquei com ele… o fiz adormecer tranquilo em seu berço, e passei à noite visitando outros 5 bebês – e eles conseguiam, de alguma forma, serem mais fofos ainda.

Estava encantada e apaixonada por bebês. Quando cheguei ao mundo mágico, tomei uma decisão, participaria da próxima grande viagem ao mundo real para me tornar humana, eu havia encontrado o que amaria fazer por toda minha vida: ser mãe.

Comuniquei à fada maior, que vivia na grande árvore e ela me explicou que quase todas as mães do mundo real já foram fadas. Elas aceitaram perder todos os poderes mágicos que tinham para viver no mundo real sendo mães. Algumas simplesmente não lembravam, outras mantinham segredo. Nem todo mundo entende essa vida dupla.

Minha varinha poderia vir comigo – fadas que viram mães, perdem seus principais poderes para que não os usem com seus filhos, assim não correm o risco de desequilibrar a ordem natural das coisas. Mas pequenos poderes nós podemos manter, afinal como você acha que as mães sempre sabem quando vai chover ou conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo? Minha varinha hoje repousa na cozinha, disfarçada de mexedor de suco.

Numa noite de verão fiz a grande viagem e virei humana, tive lindas filhas e continuo a visitar o mundo mágico, sempre que posso. Toda a primeira lua crescente do mês, as ex-fadas tem permissão para visitar o mundo mágico enquanto sua família humana dorme.

Quando volto de lá sinto saudades… Para diminuir essa saudade, faço bonecas de pano parecidas com minhas amigas fadas.

Já me falaram que algumas bonecas somem por algumas horas na primeira lua crescente do mês, mas eu juro que não tenho nada a ver com isso….

É tudo verdade!

 

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Eu sou a Fabiluli ou Fabiana Pereira, tenho 42 anos, sou carioca, mãe de 3, artista, natureba, cheia de dúvidas e certezas. E em breve avó!

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