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Sinceramente, não tem posição pior pra você estar do que a de uma criança. Convenhamos, até fisicamente, com a baixa estatura tudo o que seu filho vê são bundas. O que mais me aflinge na infância é a total dependência, ter gente preparada guiando uma criança é algo raro infelizmente. Particularmente eu acho a infância a pior fase da vida.

Acabei de assistir o filme Muito além do peso, vale ver, baixar, mandar pra sogra que vive insistindo que seu filho é magro/doente/anêmico porque voce não o alimenta bem, só porque não repete a dieta dela e pra todos os amigos com crianças.

Bem, eu não tenho obesos na família, tô pensando aqui mas não tem ninguém gordo, talvez uma prima, mas ela atualmente é mais magra que eu.

Pelo o que percebi no filme tenho que agradecer pois tive coisas boas na vida: uma a genética, outra a pobreza e a mais preciosa uma avó que exercia a autoridade.

Não falaram no filme mas imagino que a genética tenha influência, me dei bem porque meus pais são saudáveis, magros e bonitos. Brincadeira! Estão ficando velhos e dando encrenca com pressão alta.

O fato de não termos dinheiro sobrando na infância pelo visto foi ótimo, tínhamos tudo o que precisávamos, mas poucos supérfluos. Tinha refrigerante, mas só nos aniversários, natais e festas. Doces minha avó fazia em casa nos finais de semana, tinha biscoito recheado pro lanche na escola, mas só podia levar 4 por dia, nada de um pacote inteiro.

Pra bebida no lanche? Vitamina de banana com aveia e que minha avó colocava num pote de vidro(eu odiava), nada de garrafinhas engraçadinhas.

Mc Donalds? Raramente.

Comida era feita em casa, cheia de legumes, verduras e muitos temperos, sem esse papo de não gosto ou não quero, tinha que comer tudo, se separasse no canto do prato ia ter que comer puro no final.  Só era liberada do camarão por ter alergia e de dobradinha por que vamos combinar:– quem pode gostar de tripa minha gente?

No apartamento do lado meu primo passou a infância comendo somente macarrão argolinha com caldo de feijão coado, cheio de frescura. Juro que esse foi o único alimento dele por anos… e nescau claro.

Quando fui morar sozinha pensei que finalmente nunca mais teria cebola na comida, depois do primeiro arroz sem alho e cebola virei a maior consumidora de temperos que conheço

Fui criada pela minha avó, um general que o tempo amoleceu, mas como primeira neta cortei um dobrado, ela criou 6 filhos e uma neta sozinha, sem nenhuma ajuda e com muitos sacrifícios, sabia exatamente o valor de cada coisa que entrava em casa e principalmente que não deveríamos ter frescuras. Digamos que somos todos prontos pra guerra.

Estratégia que repeti na minha casa. Minhas meninas comem tudo, gostando ou não, querendo ou não. Sabem a função de cada alimento, já dão até indicação de dieta. Algumas coisas elas não gostam como couve de bruxelas, mas quando faço comem.

Tentei mostrar a elas que comida não é só por prazer mas sim por necessidade nutricional. O sabor só dura os poucos centímetros da língua mas o benefício ou malefício de um alimento dura muito tempo dentro do corpo.

Elas comeram Mc Donalds claro, ainda comem às vezes com amigos, até eu numa emergência, principalmente em viagens apelo, mas todos preferimos preferem outro tipo de comida, temos outro paladar. E como eu não tinha dinheiro para levá-las com frequência isso não se tornou um hábito. Até porque aprendi a  exercer minha autoridade como mãe sem medos e elas poucas vezes podiam escolher onde ou o que comer. Até hoje é assim diga-se de passagem.

Acho desesperador num restaurante ver a mãe com o prato na mão perguntando o que uma criança de 4 anos quer almoçar, criança não tem conhecimento nutricional, a mãe quem sabe o que ela precisa comer. Quanto menos decisões uma criança precisar tomar melhor, menos ansiedade de escolha, mais certeza de que alguém sabe o que está fazendo.

Me espanto no mercado quando olho para outros carrinhos e vejo nas compras de mês, kilos e kilos de açúcar branco. O último kilo que comprei de açúcar demerrara, tem 3 meses e o pote ainda está cheio, sal vai pelo mesmo caminho ou mais, óleo nunca comprei, não faço nada frito.

O que me deixou surpresa foi não só a permissividade dos pais como o menino no início do filme, que faz birra pra ganhar batata frita – e ganha! Se ele fosse meu filho ficava sem comer até a hora da próxima refeição que seria saudável óbvio – mas também o quanto essas pessoas gastam de dinheiro. Gastam tanto dinheiro pra quê? Pra comprar status. Mas a sacanagem é que o que é bom, custa caro e não vende em todos os mercados. Deram dinheiro pras classes menos favorecidas somente para aumentar as vendas dos produtos porcaria, ricos em corantes, conservantes e aditivos.

Hoje um pai pobre se sente orgulhoso de encher a geladeira com iogurte, ou o que ele pensa ser iogurte, porque o que ele compra na verdade é bebida láctea e não tem os mesmos benefícios do iogurte, mas na época dele ter iogurte na geladeira era um luxo. Como as pessoas não sabem sobre esses detalhes nutricionais compram achando que estão fazendo grande coisa.

Engraçado é que sabem várias coisas, sabem sobre o vida dos outros, a escalação de futebol de 1985 do Flamengo e mais um monte de coisas que não tem a menor importância. Mas sobre alimentacão fingem não se importar.

Eu tenho certeza que a intenção é criar doentes, a indústria alimentícia ganha o dela e a química também. É quase uma venda casada. Quantas crianças medicadas, doentes e que não são mais crianças vemos pela frente?

Eu sou do tempo que se preferia um não e uma cara de desgosto, a um remédio de pressão e colesterol pra uma criança de 9 anos.

Eu entendo que os pais sofrem todos os problemas da sociedade, estão sobrecarregados etc, mas se seus filhos não contarem com eles para guiarem, vão contar com quem? O governo trabalha em prol das indústrias e as indústrias querem vender cada vez mais.

Culpar a mídia é colocar uma peneira na frente do sol, não podemos nos dobrar a mídia ou a modas, os valores de uma família precisam ser mais fortes que isso. Defendo a regulamentação da publicidade dirigida a crianças sim, mas é extremamente importante que os pais ocupem seus lugares de guias e não de assistentes de seus filhos.

O que seu filho vai fazer se quiser um alimento ruim e voce não der? Chorar, fazer manha e pronto, e se traumatizar melhor ser traumatizado magro e saudável do que obeso e doente, menos alguns problemas. Vamos combinar, quem passou imune pela infância ou adolescência? Nossos filhos são muito mais fortes e espertos do que imaginamos.

Mas no fundo, o que eu não entendo mesmo é por quê as pessoas ainda permitem que seus filhos passem o dia na frente da televisão.

Desculpas, justificativas e blablablas sempre vão existir e independente disso são os nossos filhos que estão adoecendo; será que vale a pena?

Crianças precisam de guias! Steve Jobs

Escrito originalmente por mim em 2015 

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