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Recall emocional

Recall emocional

Não tenho mais como me enganar.
O dia começou faz tempo lá fora e eu ainda estou na cama, deitada, com os olhos fechados, naquela luta interior para abri-los sem conseguir sucesso.
Estou a três dias nessa cama, faço somente o simples trajeto: banheiro-cozinha-cama e com poucas luzes acesas.
Prefiro não ver nada a minha volta.

Despertar é uma tortura, nem preciso abrir os olhos, o cheiro dele está na cama; e eu troco esses lençóis diariamente tem 32 dias, mas o bendito cheiro amadeirado continua lá.

Me levanto, cambaleio pelo quarto até a janela, abro as cortinas – tudo tem limite inclusive a depressão!

A claridade preenche todo quarto e vejo com nitidez tudo o que tentava esconder dos meus olhos esses dias.
Se torna impossível não vê-lo em cada detalhe desse quarto; o abajur anos 60 que achamos num brechó, aquela caricatura de casal horrível na parede – onde eu estava com a cabeça quando permiti esse quadro no meu quarto? Lembrei, estava amando e quem ama, faz concessões como esse horror na parede. – Nota mental: me livrar logo desse quadro! Ah, e comprar uma cama nova!

Entro no banheiro e me assusto com o que vejo no espelho, estou terrível, desgrenhada, amarrotada e com aquela expressão triste que só os traídos e abandonados conseguem demonstrar.
Naturalmente olho pro lado esquerdo, aquela maldita pia extra. – Que mania moderna é essa de colocar duas pias em um único banheiro? Pra que tanta individualidade se o banheiro é o mesmo? Seja lá qual o motivo que me convenceu na época, hoje olhar pra aquela pia extra, seca e vazia só me deprime.

Com esforço tomo uma ducha, lembro de minha mãe que dizia que qualquer coisa na vida ficava melhor depois que você tomar um banho. E ela estava certa.

Vou para o quarto novamente que me parece cada dia mais estranho, como se não fosse meu e abro o armário. Aquele espaço vazio quase grita pra mim. Entendo que a minha casa nao é mais minha. Aliás ela nunca foi, ela era nossa, em todos os detalhes e planos. O que faz com que hoje, me sinta agredida por móveis e paredes que me encaram como se me cobrassem a presença que já não sentem mais.

Me visto e percebo que na verdade, tudo o que preciso é me sentir normal novamente, me sentir amada, mesmo com uns fios brancos – os danados aparecem logo na franja – com uma barriga que começa a ficar saliente, com minhas manias, com minha gargalhada de porco. Preciso me sentir amada com todas as minhas caracteristicas para depois, poder olhá-las com calma e decidir qual preciso mudar ou abandonar.

Penso em chamar uma amiga para almoçar. Mas logo desisto. Tenho almoçando com amigas – tão queridas – muitas vezes e além de algumas fofocas e risadas a única coisa que cresce em mim é a barriga saliente por tanta comida, o que diminuiu de forma exponencial minha auto estima.

–Chega, eu preciso de soluções!
Talvez um retiro, um lugar onde o caos me dê paz, onde o cheiro me dê conforto, onde cada objeto me dê boas lembranças e pensamentos. Um lugar onde eu encontre a esperança novamente!

Essa casa que ocupo atualmente nem me quer mais aqui, tambem está se acostumando com as novidades da vida e ficamos nos magoando diariamente, eu, os móveis e as paredes.
Nada aqui preenche o vazio que está dentro de mim. Me sinto partida, esse era então o famoso coração partido que ouvia falar e não entendia … às vezes a ignorância é uma benção!

Então é isso, eu preciso de um recall, de uma revisão completa, preciso da massa original para conseguir a emenda perfeita no meu coração já que não posso trocar pro outro. Eu sairia de lá como nova, pronta pra outra.

Decidida, peguei a mala… acabei lembrando da última viagem que fizemos, aquela praia, aquela brisa… – Nota mental: trocar de mala!

Coloco algumas peças meio desencontradas, não vou me preocupar com isso, pra onde vou ninguém vai notar o que vou vestir e outra, estou com o coração partido e isso me dá o direito de ficar estranha durante a recuperação.

Pego a samambaia ou o que resta dela no xaxim, bato a porta e simplesmente vou embora sem data para o retorno. Vou buscar meu retiro, meu lugar no mundo, o lugar que vai despertar em mim a certeza de ser amada com qualquer defeito e onde vou tratar da minha avaria emocional.

Pego o carro sem muita atenção. É como se as últimas forças que tenho me guiassem. Dirijo um tempo e paro o carro em frente a entrada. Meu coração fica mais mole e suspiro.
Procuro o molho de chaves na bolsa, a chave ainda está lá, nunca me desfiz. Me falaram pra levar sempre comigo pois um dia poderia precisar e hoje entendo o que significa.

Coloco a chave na porta, giro a maçaneta, pela pequena abertura o cheiro do conforto entra em meu nariz e imediatamente me faz sorrir.

Abro toda porta e grito:
-Mãe, cheguei!

ps. o conto é somente para ilustrar o que gostaria que minha casa significasse para minhas filhas.

Como ter um negócio de sucesso?

Como ter um negócio de sucesso?

Bem, se você espera encontrar fórmulas financeiras ou técnicas infalíveis de marketing, sinto desapontá-lo, você não vai achar nada disso aqui.

Eu sou uma observadora da humanidade, quase voyer, adoro observar as pessoas, o que falam, como falam, como se mexem, como expressam seus sentimentos. Reparo em cada detalhe da estrutura óssea das pessoas, na direção em que seguem os fios da sobrancelha…
 A idéia não é comparar, mas enriquecer meu banco de dados interno. Encontro pessoas parecidas em vários aspectos (físico, emocional, intelectual…) em locais completamente distantes e diferentes, o que me faz crer que existem umas fôrmas semi prontas de gente. 🙂
Mas porque esse papo se o título é sobre negócios?
Simples: negócios são feitos por pessoas e para pessoas. Nunca se esqueça disso! Essa é a regra de ouro!
Você pode se apoiar em tabelas, números, estratégias de marketing, mas se você errar nesse ponto, você se estrepa.
Pessoas não querem só comprar coisas, eles querem comprar sensações. A sensação de ser respeitado, querido e valorizado principalmente.
Lembra como era antigamente? A mercearia do bairro, todo mundo se conhecia, você comprava e o dono que te conhecia desde pequeno anotava no caderninho. O comerciante acompanhava o crescimento e até a história das famílias. Havia um relacionamento pessoal.
Hoje, cismaram que o lance é vender muito, e pronto. E aquela coisa impessoal, com pessoas sem conhecimento ou interesse pelo o que fazem, atendendo e tentando te arrancar alguma grana o tempo todo. Você vira uma alvo, um cartão de crédito. 
Meu conselho para quem vai se lançar na aventura de montar um negócio: monte um negócio como se fosse pra você.
Antes de se tornar dono de um negócio se coloque no lugar do seu cliente, aproveite essa oportunidade para fazer exatamente o que você gostaria de encontrar.
“Somos pessoas por causa das outras pessoas.”.
Se comprometa com você e seus princípios e não se curve às tendências do mercado.
Não se encaixe no papel tradicional de vendedor. Goste do que você faz, goste dos detalhes, goste de gente, tenha paciência, atenda bem, respeite, confie. 
Treine seus funcionários, ter  colaboradores automaticamente te coloca como responsável por mais algumas famílias. E pessoas além de dinheiro, precisam também de educação em vários aspectos.
Acima de tudo tenha dignidade, não empurre tralhas, coisas inúteis e de péssima qualidade pros seus clientes. 
Não se aproprie do vício publicitário que adora vender mentiras, criar necessidades inúteis e, pior, fazer chantagem sentimental com seu cliente, que assim como você é um ser humano com fraquezas.
Existem formas melhores de ganhar a vida.
Mas se o seu objetivo é só ganhar dinheiro tudo bem não me escute. Siga a fórmula atual (cínica e impessoal!) e venda tudo bem barato. Não se importe com a qualidade e muito menos com as pessoas, não crie relacionamentos. Foque apenas no lucro e pense nas suas férias no exterior.
Afinal, pessoas são pessoas e tem gente parecida em toda parte. E elas, sempre se encontram.
O limbo social e intelectual das mães

O limbo social e intelectual das mães

Encontrei uma amiga que está com filho pequeno e enquanto ela tentava conversar comigo, dar atenção ao filho mais velho e peito pro menor, chegamos a conclusão que todas as mulheres quando viram mães entram no limbo social e intelectual.

Eu sei como é isso, se sei!

E nem adianta achar que voce não vai passar ou não está passando por isso, todas as mães passam.
São anos de reclusão da vida entre adultos, dos assuntos de adultos, dos passeios de adultos.
Quando voce se dá conta, suas referências são desenhos infantis, o seu assunto diário é tudo o que o seu filhos fez ou não, quis ou não. E, é com ele que voce conversa a maior parte do tempo, assuntos do universo dele é claro.

Chega um momento em que voce anseia encontrar alguém adulto para poder conversar e se sentir parte de outro mundo por melhor que seja o infantil. Voce às vezes pode se sentir meio retardada, é a verdade.

Piora quando voce é a primeira do grupo que tem filhos, existe um afastamento naturalmente porque os outros nao precisam por exemplo ir a praia com duas barracas, piscina, lanchinho, bola, carrinho, 3 toalhas … Basta  o biquine e a canga, o resto tem na praia. Entre outros passeios que voce fazia tranquilamente sem filhos, com eles vira uma operação de guerra!

Leitura de adulto? Isso é um luxo que não é permitido a todas. Prepare-se para ler todas as histórias infantis que voce nem sabia que existiam e todos os livros de como criar filhos. E também nessa altura do campeonato, vários de auto ajuda enquanto seus assuntos preferidos de antes da maternidade ficam empilhados para “um dia”.

Atividades simples como tomar um banho demorado, ler ou assistir um filme – de adulto – sem interrupções, sentar na mesa e comer tranquilamente se tornam dádivas, raros momentos que serão desfrutados com prazer.

Meu conselho novamente é dar uma de doida de vez em quando e deixar claro pra galera de casa que ir ao banheiro de porta fechada e sem uma criança sentada no chão olhando pra voce, é necessario para manter a sua sanidade e o bom andamento do lar 🙂

Ser mãe é um retiro, uns 10 anos intensos da sua vida mais ou menos voltados pra outro ser, uma doce prisão da sua atenção.

A melhor notícia que posso dar é que passa e depois que passa, voce acha que foi rápido demais, mas com certeza vai adorar ter um pouco mais de tempo pra voce.

Vai sim, acredite 🙂

Qual o propósito do seu negócio?

Qual o propósito do seu negócio?

Escuto várias pessoas falando do sonho de ter um negócio próprio. Muitas tiveram experiências aborrecedoras no passado com chefes exploradores, baixos salários, falta de propósito da empresa… Desiludidos de forma geral, alguns corajosos partem de forma ousada em busca de seus próprios sonhos.

Muito se fala em planos de negócios, em marketing, em estratégias de venda, em como aumentar sua lucratividade e coisas do gênero. Mas eu te pergunto: Qual o propósito do seu negócio?

E tem que ter isso também? Alguns me perguntam.

Sim, tem que ter também! E normalmente o propósito do seu negócio precisa ser similar ao seu propósito na vida.
Voce quer ganhar uma grana só pra cuidar de voce e da sua familia? Só isso? Todo o esforço, todo o investimento em comunicação, em marketing pra ser usado de forma egoísta?
Me desculpe, mas cuidar da sua familia não é mais do que sua obrigação e só diz respeito à voce.

Já pensou que voce poderia aliar a essa necessidade de sustento, que todos nos temos, valores? Se voce pode convencer alguém a comprar algo da sua marca, porque não usar esse poder para difundir valores reais?

O que alguém ganha comprando um produto seu? Só o produto? E a inspiração em fazer algo além do básico? O que o seu negócio dissemina? O que voce dissemina?

Não existe um mundo de negócios. Existe um mundo de pessoas e pessoas precisam de pessoas o tempo todo, temos essa necessidade.

Não podemos ignorar isso e muito menos pensar da forma, meramente lucrativa, que seu antigo chefe pensava e voce criticava.
Precisamos assumir responsabilidades e fazer diferente do estabelecido.
Sejamos sinceros: ninguém justo está satisfeito com o que vemos diariamente por aí!

O sucesso não pode ser medido somente pela questão financeira. Se esse ponto pra voce é o único que importa, sinto muito, voce não serve pra nada de construtivo num mundo novo e justo.

O que voce faz para ajudar alguém? O que seu negócio faz para ajudar alguém?
Nada?

Como voce cuida de seus colaboradores? Por quê as pessoas querem trabalhar com voce? Pra ganhar dinheiro? Ou porque compartilham com voce os mesmos valores?

Que tal mudar isso?
Que tal fazer parte desse mundo novo que tanto queremos? Que tal fazer as mudanças que tanto necessitamos?

Só depende da sua ação!

Voce vive com um propósito?
Qual?

Ano novo tudo novo

Ano novo tudo novo

Eu adoro mudanças!

Mudo de casa, bairro, cidade, roupa, corte de cabelo, time de futebol, relacionamento, profissão etc

Nada pra mim é pra sempre. Tudo é enquanto for de verdade, for real, for paixão, for total identificação. Detesto a idéia de ficar acomodada em alguma situação por medo do novo ou preguiça. Me parece que estamos usando a outra pessoa somente em nosso benefício, quando se trata de relacionamentos sejam eles afetivos ou profissionais.

Tirando meus bichos, filhas e pequenos objetos eu não tenho apego a quase nada. Foi um processo longo aceitar que podia – e muitas vezes devia – abrir mão de determinadas coisas, funções e pessoas e permitir novos caminhos, aprendizados e amores.

E isso tudo é pra explicar as mudanças aqui na Fabiluli. Quem me acompanha pelos 7 anos de trabalho e viu todas as versões do site da Fabiluli vai perceber, basicamente faço um novo a cada ano.

Em 2010 eu fiz a primeira logo. No início da Fabiluli estava encantada e aprendendo muito sobre pedagogia e naquele momento eu queria muito trabalhar com esse universo, tentar levar aos pais, através de seus filhos, mais conhecimento. Num primeiro momento meu esforço foi pra divulgar e propagar conhecimentos que eu achava serem urgentes e muito necessários.

Deu certo! Hoje vejo muitas famílias que conseguiram encontrar novas formas de se relacionar e criar seus filhos. Recebi muitos e-mails durante esse período de mães e pais aflitos, de pessoas sensíveis querendo conversar. Respondi a todos e tenho muita gratidão por ter podido participar um pouco da história de cada um.

O foco era infantil, uma logo colorida e tinha como ícone um vasinho com uma flor remetendo ao cuidado.

Mas, as mudanças…

E precisava mudar pra me sentir coerente com o que estou sentindo e buscando. Meu trabalho é super pessoal, aqui não funciona uma empresa. Eu tenho muita sorte em criar coisas que as pessoas gostam tanto que querem comprar de mim.

Para que tudo funcione de verdade, eu preciso focar em mim e não nos resultados de uma empresa que normalmente envolvem o lucro. Eu tentei, mas não consegui, não posso agir como um máquina criando bonecos comerciais  sem identificação comigo e aos montes para lojas e eventos alerta ao preço . Isso não sou eu, não é o meu trabalho e nem o que eu acredito.

 

“Sempre achei que o modo como se vive já é em si uma atitude política.”

Robert Frank

 

Agora quero  simplificar e ao mesmo tempo ampliar meu trabalho. A vontade de criar livremente e aprender novas técnicas seja pra criar uma boneca ou uma escultura ou um trabalho fotográfico foram crescendo dentro de mim durante alguns anos. Por muito tempo tive medo de arriscar, de expor e até de aprender, evitei muito. Me sentia traindo a Fabiluli infantil que havia planejado e tinha sido tão boa pra mim.

Amadureci. Entendi que qualquer trabalho que faça sempre vai ter inspirações similares ao meu passado que tanto me honrou: encantamento, cuidado, bondade e imaginação. Seja numa boneca ou num objeto decorativo a minha motivação sempre será despertar algo do gênero. Isso é fundamental na minha personalidade, é a minha busca pessoal.

Minha logo agora não tem artifícios, nem muitas cores, sem ícones, somente a minha assinatura. Só eu. Minimalista.

 

Antes de ter a Fabiluli eu tinha um outro blog chamado Eu sei mas esqueci, nele eu fazia minha terapia pessoal e conversava, simplesmente falava sobre mim, meu dia, vida, filhas, causos, opiniões. Não ensinava nada a ninguém, só vivia e compartilhava e assim podia aprender e trocar com pessoas diferentes.

Ele foi um sucesso, numa época em que não existiam redes sociais e a internet “era tudo mato”. Fui feliz com ele também e sempre adorei o nome Eu sei, mas esqueci. Algo que eu faço e falo muito e que também pode remeter as coisas boas da vida que sabemos que existem, que as vezes até experimentamos mas que com a correria e automatismo do dia a dia esquecemos.

Então ele voltou! O blog agora tem um nome diferente e vai seguir uma linha diferente, menos professoral, menos sabichona e mais viva, simples. Vou estudar mais, pesquisar mais e compartilhar isso aqui, no meu caderno online.

Quanto as minhas criações também irão mudar muito. Óbvio que sempre farei bonecas infantis, eu adoro! Mas vou me dedicar a estudar mais sobre arte e técnicas têxteis e fotográficas para assim aumentar minhas possibilidades de expressão. Meu planejamento até junho incluí muitos trabalhos artísticos, mais adultos talvez, mas para adultos infantis, sensíveis. Quero trazer mais poesia pro cotidiano, mais encantamento.

É um momento delicado e difícil, basicamente estou começando meu negócio novamente, mas muito motivada. Acredito que agora estou alinhada com o que quero, penso e faço. E  me sentindo mais livre, madura e segura pra seguir esse caminho.

Eu agradeço muito a cada pessoa que comprou cada um dos meus quase 1.000 bonecos nesses sete anos. Esse é o meu trabalho e sustento, vocês me ajudaram e estimularam pra caramba.

E eu sigo tentando acertar na mão, ser mais feliz, mais sábia e mais verdadeira em tudo o que faço.

Nos vemos por aqui com mais frequência.

Beijocas da Fabi

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