Simone era uma menina muito medrosa, muito mesmo, ela tinha medo de tudo! Medo de escuro, medo de insetos, medo de dormir sozinha, medo de cair, medo de ter medo.

Era um problema muito grande e ninguém sabia como ajudar a menina.

Ela não queria brincar pois tinha medo de se machucar, não queria sair pois achava que podia se perder, e também não era fã de fazer amigos.

Nas férias, Simone foi para a casa da sua bisavó Lucinha, uma velhinha bem fofinha, muito enrugada mas cheia de boas idéias, o que tinha a pele de cansada e gasta tinha o cérebro de forte e esperto.

Bisa Lucinha já sabendo os medos da menina, chamou Simone e lhe deu um pedaço de pano, uns botões, um pouco de lã de carneiro, linha e agulha e levou a menina pra sua sala de costura.

– Simone minha querida, eu estou sabendo que você tem muitos medos e que isso está te atrapalhando, que você não quer fazer nada que criança da sua idade faz, brincar, correr, jogar bola, bater pique, se divertir. Toda hora acha que algo ruim pode acontecer. Filha, você tá precisando ser corajosa! Só as pessoas corajosas conseguem realizar seus sonhos e ajudar outras pessoas a realizarem os dela. Me diga: você tem sonhos?

–Tenho muitos! Eu quero subir numa árvore bem alta para pegar uma nuvem, depois eu quero correr com uma onça, depois eu vou fazer uma casa bem grande pra todo mundo que não tem casa morar nela. Falou a pequena sorrindo.

–E como vai fazer isso tudo sem tem medo o tempo todo? Perguntou a bisa mexendo as sobrancelhas branquinhas.

–Não sei. Você me ajuda? Sabe de algum jeito de não ter medo? Perguntou apreensiva a menina.

–Minha criança, todo mundo tem medo de alguma coisa, sempre vamos pensar um pouco em alguns momentos, várias vezes vamos perder bons momentos e oportunidades por conta do medo, mas tem uma coisa que eu aprendi nesses 89 anos de vida: a gente tem que ser amigo do medo!

–Amigo do medo?! Como assim?

– Temos que pegar nosso medo e chamar pra pertinho da gente, sabemos que ele existe, ele está ali do nosso lado, mas não nos impede de fazer nada. A gente olha pra ele e fala: medo meu amigo, eu sei que voce quer me proteger, mas eu quero viver. E faz o que tiver que fazer. –Eu vou te mostrar uma coisa que fiz quando era bem jovenzinha. Bisa Lucinha abriu uma caixa velha e cheia de poeira que guardava embaixo da cama e mostrou pra Simone um bonequinho de pano velho e surrado quase se desfazendo. – Esse é o meu medo, eu fiz esse boneco pra representar todo medo que eu sentia e passei a ficar com ele todos os dias, ele virou meu amigo e eu parei de ter medo de fazer tudo. Eu acho que você deveria fazer um pra você também com as coisas que eu te dei e apontou para o pano e a linha.

Simone pensou bem, ficou admirada com o que sua bisa tão velhinha e esperta estava falando e decidiu fazer seu medo, ela estava decidida a fazer tudo o que sonhava e ia levar o medo junto.

Desenhou, costurou, cortou, a bisa ajudou e no final do dia ela tinha um boneco que era a junção de seus medos, ela pensou em todos eles enquanto costurava e estava pronto.

–Esse é o Marco Polo, ele é o meu medo que não vai mais morar no meu coração, ele vai ser meu amigo e me acompanhar em todas as minhas aventuras. E deu um abraço agradecido a bisa.

Daquele dia em diante Simone e Marco Polo foram amigos inseparáveis, eles deitavam juntos e viam as nuvens passando, pensavam na vida, conversavam sobre todas as coisas e a menina toda vez que precisava ser corajosa respirava fundo, apertava seu amigo na mão e seguia.

 

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