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A bendita crise econômica que se instalou no país tá cortando cabeças em todo mundo corporativo. Tem quase um ano que acompanho pessoas sendo demitidas, gente que tinha um emprego considerado estável, um bom padrão de vida e de uma hora pra outra, simplesmente acabou.

Não é fácil, é traumático, é desesperador se ver de uma hora pra outra sem o rendimento mensal garantido e esperado. As mudanças de estilo de vida, também, em muitos casos são devastadoras. De um dia pro outro toda aquela rotina de conforto e segurança que você tinha explodiu e deixou os restos pelo caminho. Resumindo, é uma bosta! Mas uma realidade totalmente possível de acontecer com qualquer um. Do executivo ao servente os estragos pessoais em casos de demissões são grandes.

Mas rolou e aí? Os caminhos disponíveis são: depressão profunda que te paralisa, desespero que te move a encontrar qualquer coisa ou reflexão profunda sobre suas potências.

A parte da depressão, todo mundo conhece alguém que foi demitido e nunca mais conseguiu se colocar, ficou “encostado” vivendo de passado, achando injusto e com pena de si por ter dado tanto pra uma empresa e acabar sendo demitido. Ele talvez consiga sair dessa e perder o medo de tentar, sempre existe esperança.

O desesperado coloca mil currículos em todos os lugares e vai diminuindo as expectativas de salário e cargo a cada semana. Nem passa na cabeça dele ser responsável por si, ele já tem responsabilidades de mais com família, contas, estilo de vida, e com a sociedade porque vamos combinar: explicar que tá desempregado é uma vergonha, afeta a auto estima de qualquer um e podendo evitar passar por isso melhor.

O reflexivo normalmente é aquele sujeito que dá um giro louco na vida, que não tem apego ao que era e percebe que pode se tornar o que quiser, que tá sempre aprendendo e se interessando por assuntos diferentes. Ao invés de sair no automático procurando emprego em empresas similares, no mesmo cargo e fazendo a mesma coisa pra ter mudanças mínimas na vida, o reflexivo procura o que ele pode fazer, o que gosta de fazer, o que consegue realizar bem. Se enxerga como indivíduo criador, como potência e se arrisca. Vê a vida como uma oportunidade.

Junta o que aprendeu, procura aprender mais, faz mudanças no estilo de vida, segura os gastos, mas não sofre por isso, procura encontrar beleza e coisas pra aprender em outros níveis. Afinal você pode chegar a um destino de várias formas: andando, de carro, de ônibus, de carona, de avião, a única coisa que te pertence mesmo e que faz diferença é a forma como você vai se enxergar nessas opções. Existe a opção de ser um sofrimento,  ser detestável, ou ser curioso, ser intrigante e cheio de possibilidades.

Essas horas de crise podem ser libertadoras, podem ser a força que faltava pra você se livrar do perfil de escravo moderno, que dá a vida em troca de boletos e faturas pagas. Nem sempre dá pra controlar tudo externamente, o que dá é pra controlar o interno: é desejar menos, é se contentar com algo que sirva de forma prática e não associar sentimentos a coisas. Você pode ter um carro com 5 anos de uso em perfeito estado que te leva a todos os lugares e isso ser tranquilo ou só se contentar com um zero kilometro, da marca tal, do padrão tal pra se sentir inserido num nicho. Um meio de transporte confortável e seguro normalmente está a seu alcance, mas se você associar o julgamento social aí custa mais caro e se distancia. E o problema é que não custa mais caro só dinheiro, custa vida, custa tempo, custa solidão, custa desgaste, custa saúde, é um preço meio caro pra se pagar por algo que pode ser mais simples.

Não é errado desejar coisas, nem ter dinheiro, eu particularmente adoro dinheiro porque vejo nele poder, poder de realizar várias coisas legais pra mim e pros outros. Por mais boas intenções que você tenha em alguns momentos a falta dele pode inviabilizar tudo. O lance é que tem muitas formas de você ganhar dinheiro; você pode alugar sua alma por tanto tempo, que quando te devolverem ela você nem mesmo se reconheça, e demore pra se encaixar novamente em você. Ou tentar viver mais consciente de quem você é e do que pode realizar.

Não é um caminho fácil e de flores, dá uns desesperos, uns apagões, falo por experiência própria, mas no final você percebe que pra melhorar mesmo depende de você se enxergar com mais possibilidades e isso não tem cargo nem salário que faça de verdade. Tem todo um histórico de auto estima, de tradição familiar, de ser ver pequeno e limitado ou grande e cheio de possibilidades.

As coisas na verdade estão bem agora mesmo, você só vai ter a oportunidade de se ver de uma forma diferente a que estava acostumado ou foi adestrado. Minha sugestão é que procure ser gentil com você, reconheça seus valores, valorize sua história, seja realista com seus limites e lembre de pensar grande mesmo que o redor seja pequeno e limitante. Vai por sua conta e risco porque com você mesmo sempre dá pra contar.

E quando você tem família pode parecer que tudo fica pior, afinal não é só a sua vida que passa por mudanças, é verdade. Mas crianças aprendem por imitação, são adultos em formação e esses valores que você vai ensinar de auto estima, de persistência, de eterno aprendizado, de simplicidade, de ver a vida com mais valores além dos que vendem no shopping, vai ser mais instrutivo e com qualidade pra uma geração que não vai encontrar nada garantido.

O mundo muda o tempo todo e não podemos ensinar aos nossos filhos que só existe um padrão velho e que causa tanto transtorno no mundo e na vida pra seguir.

Nada na vida é garantido, todo dia temos que calibrar nossos botões, escolher continuar ou mudar caminhos e fazer o melhor nos adaptando ao que acontece ao nosso redor, sem esquecer que só dá pra controlar a forma como você se enxerga no meio da situação. Entre em crise, seja improdutivo, fique puto, fique com pena de você mesmo, passe por todas as fases, mas passe rápido afinal a vida tem um monte de surpresas te esperando e você pode preferir a sua nova versão a antiga.

Aqui o Hélio Leite pra te ajudar

Vamos nessa

Fabi

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